Não dá. Não sei pensar em outras coisas que não te envolvam mesmo que for pela metade, e ando até tendo alucinações durante meus sonhos da noite e meus pensamentos de dia. Mal consigo jogar minhas palavras no papel de um modo que as faça virarem uma bela carta de amor, daquelas que já estou acostumada a fazer e não entregar.
Quero entender o que você fez comigo naquela noite em que o ar quase fazia a pele pegar fogo e as árvores não faziam vento o suficiente para os meus cabelos voarem.
Nos abraçávamos no ritmo de uma música do The Who, cantarolei e ouvi um "você tem um bom gosto musical" e isso me deixou muito mais feliz do que quando ele me disse "você é muito linda", já que isso eu escuto ao menos uma vez a cada quatro dias, desde criança, ditos de formas diferentes, por pessoas diferentes, desde os meus oito anos de idade.
Me surpreendia a cada suspiro que deixava escapar sem querer ao pé do ouvido, não sabia que podia. Vou esperar, eu e você, para depois, ou antes de um mês.
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