quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

 Sempre fui sozinha, assim como estou agora. Onze da manhã de um Domingo no Pátio San Miguel, estou com as pernas cruzadas. Garfo em uma mão, lapiseira na outra.
(Acho) É hora de ir. Para casa e também daqui.
Tudo aqui queima e desaparece tão rápido.
Minha energia é tão forte que posso sentir esse copo plástico se movendo.
Preciso ir, mas fico feliz de ter para onde voltar.

Acostumar

A dor do costume, como dói. A gente acha que está fazendo tudo para não se apegar, assim como manda o script do bom senso, mas quando vê, já foi. É a segunda saída londrinense onde você não está e já me faz falta. O carinho que eu sei que sempre tenho está desaparecendo.
Tempo, faz necessário ter-se e dar-se, eu te dei.
Ando sem inspiração desde sei lá quando e sinto-me feliz do motivo principal do texto ser você.

domingo, 11 de agosto de 2013

Não precisa me procurar

Maldito seja o dia em que coloquei meus pés no Vitrola bar. Nunca tinha ido ver o cover daquela banda britânica dos irmãos de ego inflado. Era uma Sexta-feira de pub lotado, e deveria ter acabado só ali, mas não. Você passou, olhou no fundo dos meus olhos e me senti completamente intimidada. Repito, deveria ter acabado ali, mas não. No outro dia fui atrás, e depois de oito horas seguidas de conversa, eu sabia que deveria ter parado por ali, e de novo, não parei.
Hoje, um ano depois, não consigo assistir Vanilla Sky do mesmo jeito que antes sem lembrar de quando eu pressenti seu acidente de carro, justo quando você prometeu tomar cuidado ao ir para a festa e que no dia seguinte, assistiríamos juntos Brilho eterno de uma mente sem lembranças abraçados no sofá do teu apartamento. Eu espero até hoje, sabia? Sei que não é certo, muito menos recomendável, mas são lembranças minhas que quis guardar em uma caixinha e vez ou outra dou uma revirada nela. Já tive muitos caras em meu coração e na minha cabeça, já estive por outras camas que não fosse a sua, mesmo querendo estar nela. Venho tentando superar e confesso que grande parte até já se foi, mas ainda me lembro de quando você cantava "Slide away and give it all you've got" enquanto beijava os ossos da minha costela ou como quando me chamava de lovergirl. Essa saudade, que até para Martha Medeiros é uma das coisas que se dói e custam-se a esquecer. Mas o que mais dói é lembrar de quando você me ignorava (e não foi uma, mas inúmeras vezes) quando eu só queria um oi teu. Eu aceitava a condição de ter você daquele jeito, coisa de menina boba, eu tinha 18, você 28 e não faz muito tempo disso tudo. Mesmo não estando por perto, você sempre esteve por lá. Até em São Paulo você me achou. Você não viu, mas entre os shows do Queens of the Stone Age e The Black Keys eu te vi. Estava tão bonito, como sempre vi, mesmo minhas amigas te achando horrível. Calça jeans, tênis velho e camiseta preta, do jeito que simples que gosto tanto. A vida deve ser isso, guardar na memória só o que foi bom, é o que ouço dizer. Então, guardarei tua voz em minha cabeça, as canções daquela banda britânica, as mensagens de texto de Setembro de 2012 e a nossa foto às 5h30 da manhã de uma Quinta-feira.  
Veja a minha foto nua em frente ao quadro do Pink Floyd, a caneca vermelha que esqueci em cima da tua mesa, use a camiseta do Unknown Pleasures e com toda a certeza que uma leonina pode te oferecer, ao menos por um segundo, você se lembrará. Eu aposto, qualquer cor que você goste. (ps. De tantas coisas não ditas aqui, preferi deixar o resto guardado no caderno, dentro daquela gaveta. Obrigada.)

domingo, 4 de agosto de 2013

- Deixamos os outros jogarem as migalhas pelos caminhos e a gente vai ciscando, de cabeça baixa. Quando erguemos a cabeça, vemos que tomamos um caminho que não era o qual planejávamos, por culpa de terceiros.
A sola do sapato tá gasta, a chuva vem e não temos guarda chuva, dá preguiça de voltar, nos escondemos embaixo da árvore até que caia uma maçã bem na cabeça, aí damos aquele pulo de susto. Meu deus, tô chapada?
- Não sei, mas você viajou bastante.

domingo, 14 de abril de 2013

Aprendi a me amar de dez mil tipos, gêneros e graus diferentes, e ainda não sei onde ele está.
Me afoguei no banho, sonhei que tragava um cigarro, lembrei de Vanilla Sky, e do tanto que sofro nas madrugadas estando ou não sóbria.
Acordei com calor no corpo, mesmo no dia frio que fez hoje, adormeci na nudez mais velada e bucólica que meu corpo presenciou.

Do tanto que chorou, dormiu.
De novo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

2:45 A.M

Não gosto de ver nada relacionado à avôs e sofrimento. As vezes, lembro da morte da minha bisa, e sinto que não sofri o suficiente por ela, e agora derramo lágrimas por um desespero que vez ou outra vem me perturbar. Existe isso de sofrer de mais ou de menos? Sofrimento tem quantidade ou qualidade?
Vim sentada no banco de trás do carro do Jean enquanto ele me trazia para casa, e no banco da frente a Ana não estava bem, eu sabia que não, eu vi um reflexo de água em seus olhos, e tinha certeza que era salgada sem nem ao menos sentir o gosto. Era por causa do avô dela. E sabe, eu peguei na mão dela e parece que foi o suficiente, mais até do que qualquer outra frase bonita de consolo, é como se metade do peso que eu tenho em relação a minha bisa, diminuísse um pouco. Meu coração está pesado, tão pesado, que não sei como vai ser essa noite. Sinto saudade, e quem é que não sente?

Ps. A intenção de hoje não é que o texto saía grande e nem mesmo que a gramática esteja correta. Boa noite.