Hoje, um ano depois, não consigo assistir Vanilla Sky do mesmo jeito que antes sem lembrar de quando eu pressenti seu acidente de carro, justo quando você prometeu tomar cuidado ao ir para a festa e que no dia seguinte, assistiríamos juntos Brilho eterno de uma mente sem lembranças abraçados no sofá do teu apartamento. Eu espero até hoje, sabia? Sei que não é certo, muito menos recomendável, mas são lembranças minhas que quis guardar em uma caixinha e vez ou outra dou uma revirada nela. Já tive muitos caras em meu coração e na minha cabeça, já estive por outras camas que não fosse a sua, mesmo querendo estar nela. Venho tentando superar e confesso que grande parte até já se foi, mas ainda me lembro de quando você cantava "Slide away and give it all you've got" enquanto beijava os ossos da minha costela ou como quando me chamava de lovergirl. Essa saudade, que até para Martha Medeiros é uma das coisas que se dói e custam-se a esquecer. Mas o que mais dói é lembrar de quando você me ignorava (e não foi uma, mas inúmeras vezes) quando eu só queria um oi teu. Eu aceitava a condição de ter você daquele jeito, coisa de menina boba, eu tinha 18, você 28 e não faz muito tempo disso tudo. Mesmo não estando por perto, você sempre esteve por lá. Até em São Paulo você me achou. Você não viu, mas entre os shows do Queens of the Stone Age e The Black Keys eu te vi. Estava tão bonito, como sempre vi, mesmo minhas amigas te achando horrível. Calça jeans, tênis velho e camiseta preta, do jeito que simples que gosto tanto. A vida deve ser isso, guardar na memória só o que foi bom, é o que ouço dizer. Então, guardarei tua voz em minha cabeça, as canções daquela banda britânica, as mensagens de texto de Setembro de 2012 e a nossa foto às 5h30 da manhã de uma Quinta-feira.
Veja a minha foto nua em frente ao quadro do Pink Floyd, a caneca vermelha que esqueci em cima da tua mesa, use a camiseta do Unknown Pleasures e com toda a certeza que uma leonina pode te oferecer, ao menos por um segundo, você se lembrará.
Eu aposto, qualquer cor que você goste.
(ps. De tantas coisas não ditas aqui, preferi deixar o resto guardado no caderno, dentro daquela gaveta. Obrigada.)
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